2007/03/19

A Cavada do Lombo da Gaia ardeu em Agosto de 2006. Tal como já havia sucedido em 1998. A diferença entre estes incêndios é que o primeiro teve uma circunscrição naquela área. Porém o do verão passado, foi um testemunho das alterações climáticas. Praticamente ardeu toda a área florestal de Aguiar de Sousa, durante quase 15 dias sem controle, apesar de a dada altura estarem bombeiros de quase todo o país, e meios aéreos com fartura.

Após o incêndio de 1998 ficou por arder uma parcela da cavada ocupada poor pinheiros de grande porte. O incêndio veio de sul, propagou-se pelos eucaliptais anexos e chegou à nossa cavada onde se atenuou por ter o mato rasteiro. Mesmo assim a maior parte ardeu. Na área ardida foram abatidos os pinheiros. Arancou-se todos os pequenos pés de eucalipto que despontaram após o incêndio. De seguida plantaram-se pequenas árvores que tinha em viveiro. Foram cedros a toda a volta, e no meio plantaram-se pequenos carvalhos, castanheiros, áceres e até 4 araucárias produzidas a partir de sementes obtidas no cemitério de Recarei.

Neste incêndio ardeu tudo, isto é todo o trabalho anterior desapareceu. Cortarm-se os pinheiros ardidos. Para já ficaram num canto alguns pinheiros que tem o topo da copa verde, para ver se sobrevivem. Os pinheiros cortados por mim foram trazidos para aproveitamento como lenha combustível.

Estão por limpar centenas de pinheiros com cerca de 2 a 3 metros de altura correspondentes a 8 o 9 anos de vida. Estão já a nascer centenas de pés de eucalipto.
Também nas zonas de melhor solo já despontaram fetos e carqueija.

2007/03/16



Apresento a quem não conhece a fantástica lagarta do medronheiro. Vive exclusivamente nesta planta e vai dar origem a uma bela mariposa. Desafio a tentarem descobri-las na natureza. Não se admirem de elas estarem ali mesmo debaixo do olho, e mesmo assim não a descortinarem.

2007/03/15

Lodeiro – Aguiar de Sousa

Na década de 80 já as nossas Associações de defesa do ambiente tinham como uma das frentes de batalha lutar contra o avanço de espécies infestantes. Na altura ainda não se falava em trangénicos, mas a principal ameaça provinha da eucaliptização do país. As indústrias de celulose desenvolviam sucessivas castas de eucaliptos e a expansão desta monocultura avançava por todo o lado. Ainda me lembro bem da carga brutal da GNR montada em cavalos, sobre os voluntários da Quercus que tentavam impedir a eucaliptização da serra da Aboboreira.
Estas infestantes, eucaliptos e acácias, mesmo sem as plantações das celuloses, progridem facilmente. Dir-se-ia que renascem das cinzas. Os incêndios que se multiplicaram em Portugal ajudaram à exterminação das outras espécies ficando apenas as infestantes. É o caso típico do sul do concelho de Paredes, nas zonas florestais de Aguiar de Sousa, Recarei e Sobreira, e que se prolongam pelos concelhos vizinhos de Valongo, Gondomar e Penafiel.
Face a isto, a título pessoal, resolvi encetar uma luta contra as infestantes. Os meus pais tinham várias propriedades florestais que herdaram em Aguiar de Sousa. Uma delas, que apelidamos de Lodeiro, fica encravada entre a estrada nacional 322-2 e o Rio Sousa, num local próximo da Senhora do Salto. É muito íngreme e termina num extenso lameiro, que outrora eram campos de cultivo de linho e de milho.
Resolvi fazer a intervenção neste local porque era muito bonito, ficava na margem do rio, e estava abandonado.
O local estava quase impenetrável pela densidade de mimosas. Algumas tinham troncos enormes. Pelo meio das mimosas encontravam-se eucaliptos. Em algumas áreas surgiam algumas espécies de arbustos autoctones, bem como alguns e carvalhos. A margem do rio tinha salgueiros e amieiros. Na parte de cima junto a um muro de suporte da estrada estavam enormes quantidades de lixo deixado por pessoas que o levavam em carros e depois o atiravam para ali, tranformando aquilo numa lixeira igual a milhares de outras que os portugueses foram criando por todo o Portugal.
Este era o cenário em 1986.
Começei por abater todas as mimosas. A lenha resultante foi para cavacos. Todo o resto de detritos florestais ficou acumulado numa zona que escolhi e ao fim destes anos todos está tranformada em solo.
De seguida foram abatidos todos os eucaliptos após venda dos mesmos a um negociante de madeira.
Os lameiros junto ao rio estavam cobertos por um silvado enorme. As silvas foram cortadas manualmente, e empilhadas no mesmo local onde estavam os outros restos florestais. Curiosidade: enquanto eu e o meu pai íamos cortando as silvas dois ou três piscos de peito ruivo acompanhavam-nos de perto esgravatando a terra que ia ficando livre de silvas.
De seguida foram plantados nestes campos choupos, plátanos e áceres. Também foram feitas nestes campos plantações de carvalhos cujo objectivo era serem posteriormente transplantados para o monte anexo. Este monte anexo sobe até à estrada, e tinha ficado deserto com o abate das infestantes.

(continua)

2007/03/09



Atoleiro - Recarei - Rio Sousa

Foi aqui que aprendi a nadar. Já lá vão 40 anos. Esta imagem foi captada em 2001, a escassos 20 Km do Porto.

Nostalgia.

Creio que perdem muito os miudos de agora por não poderem desfrutar deste rio limpo.

Serra de Baltar

Esta é uma serra que não existe de verdade.

Contudo os de Recarei, no seu olhar para norte, deparam-se no horizonte com esta montanha.

Conheceram-na verde de dia, e escura como o bréu durante a noite.

Esta imagem já só está no imaginário. Primeiro foi a auto-estrada que colocou de dia um risco no verde, e de noite luzes a evoluir de um lado para o outro.

Os incêndios transformaram o verde intenso numa paisagem árida, ou a espaços com verde eucalipto.

Recentemente bem no alto do monte surgiram luzes fortes. A zona industrial de Baltar chegou aquele ponto.

A paisagem já se perdeu. Temo que de seguida se percam os nascentes de água que abastecem Recarei, e que estão um pouco abaixo.