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2010/02/14

Do mesmo Diário IV de Torga

18 de Fevereiro de 1948, Serra da Lousã:

O homem do passado via estes montes cobertos de carvalhos, e o do futuro há-de vê-los cobertos de pinheiros. Dantes, a natureza na sua espontaneidade; amanhã, a natureza disciplinada e utilizada.... Serras nuas, esqueléticas e ossudas, mas de uma beleza que nem o passado viu, nem o futuro há-de adivinhar.

Que diria Torga nos dias de hoje, com os carvalhos a ficarem quase residuais, os pinhais a serem trocados por eucaliptos, ou em muitos casos pela desertificação arbórea!

2009/03/06


Vou ter de sacrificar o meu Cedro. Dei-lhe vida já há quase vinte anos quando germinei vários exemplares a partir de sementes recolhidas no Gerês. Os irmãos estão a viver em Aguiar de Sousa em meio florestal.
Este é já uma bela árvore, pujante, com mais de 15 m, um fuste soberbo, uma copa tão densa que dá para nos abrigarmos da chuva. Contudo não pára de crescer e está demasiado grande para o local onde cresceu. Pode cair com um temporal para a estrada ou para cima da casa da vizinha com consequências imprevisiveis. Já tinha tomado a decisão há muito tempo. No verão passado recolhi muitas sementes dele. Se correr bem germinarão e irão para a floresta.

2008/07/29



Faz 3 anos este Verão. Recarei ardeu completamente. O resultado são os montes e colinas despidos de árvores, com excepção de eucaliptos. A verdejante aldeia tem agora a envolvê-la uma paisagem árida.`

Na parte de combate ao fogo evolui-se este ano para uma situação de proximidade, ao colocar os bombeiros estacionados nesta zona. Também aumentou a vigilância e as brigadas móveis.

A parte estruturante é que pouco evoluiu. Passos tímidos na constituição de uma ZIF, e nenhuma actividade de reflorestação.

Parece que em ano próximo, com condições climatéricas propícias, com a vegetação combustível mais crescida, será inevitável outra situação igual à de há 3 anos em Recarei e de há 2 em Aguiar de Sousa.

2008/03/30


Ontem à noite estava exausto de trabalho físico. Foi todo o dia a cortar pinheiros queimados, ainda do grande incêndio de 2006.
Tinha de ser. Estavam sobranceiros à estrada e ameaçavam tombar a qualquer momento. No chão despontam centenas de outros pequenos pinheiros. Por cima e em número muito superior já estão milhares de eucaliptos que já não é possível arrancar com a força dos braços. Alguns já estão com 2 metros. Aquilo que não vou conseguir fazer é a limpeza completa da área, arranque dos eucaliptos, e plantio de folhosas em grande número. Sempre o mesmo motivo: não há tempo.

2007/11/13

Carpa Europeia - Carpinus betulus

Esta bela árvore, sempre a conheci naquele recanto de Recarei perto do rio, no caminho para o Atoleiro. No Domingo passei por lá e fiquei triste. Tinha desaparecido. Não conheço outra por aqui, nem nas proximidades. Ficam as fotos recolhidas em Agosto de 2003.








2007/10/10


Poucos foram os paraísos de Recarei que sobreviveram à inclemência das chamas de 2005.
Os vales frescos junto a ribeiros escaparam. Sobretudo os que se constituiam de carvalhos, amieiros, salgueiros e outras folhosas típicas da floresta temperada.

2007/08/28

Fogos na Grécia
O colapso Grego perante os incêndios e a abordagem política que se tem seguido só mostra que as mensagens que o planeta nos envia insistentemente continuam a não ser compreendidas. Lá como cá procuram-se os maus da fita, esses incendiários e seus obscuros interesses. O fundo da questão, ou seja as alterações climáticas e o planeta doente são os últimos a ser lembrados. Entretanto o fenómeno vai-se alastrando aos países que ciclicamente vão estando com as condições propícias para o fogo. Portugal este ano esteve fora, o clima deu-nos uma trégua.